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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Esta foi em 1980:

Uma noite estava em um bar da moda com uns amigos e o lugar estava lotado. Um dos donos veio até nós e perguntou:
- Posso botar umas meninas na mesa com vocês? É claro que aceitamos. ficamos meio tentando olhar, puxar assunto, aquela coisa. De repente, a menina que estava do meu lado diz:
- Hoje em dia, os homens não sabem cantar uma mulher, vão logo atropelando, não tem poesia...
E eu respondi:
- Ah é? Então vou fazer te fazer uma cantada em forma de poesia. Pedi um papel e um guardanapo para um garçom e escrevi:

CANTADA

Eu gostaria de te amar na luz clara da manhã,
Quando o sol, ainda com sono,
Ficasse surpreso com nosso desejo.
Eu gostaria de te amar na suavidade de uma noite,
Quando a lua ciumenta, irriquieta espiaria,
Minhas mãos percorrendo teu corpo,
como viajantes cansados, a procura de um oásis.
Eu gostaria de te amar, qualquer dia, qualquer hora.
Te amaria entre as árvores, na floresta.
Pássaro cansado, me esconderia então,
No suave ninho de teu colo vazio....




Entreguei a poesia para a gata. Ela leu, releu e disse:
- Já pedistes a conta?


By Huet

Como nós estávamos falando sobre sexo lá no Chatanão, e lembrei que na época que escrevia para jornal, escrevi uma crônica sobre a apresentação de um conjunto de Jazz, associando isto a um ato sexual (ou quase).

Bem, aí vai ela. Se gostarem, comentem. Se não, podem vaiar.

Na primeira vez que um casal faz amor, a expectativa por parte dos dois é muito grande. Existe todo um ritual de descobrimentos, de sintonia mútua, de sincronismo de ritmos. A paixão e o desejo são vorazes, avassaladores. Entretanto, a reciprocidade do prazer talvez não seja a mesma para ambos. Com o passar do tempo e a relação sendo estável, o ato do amor passa a ser muito mais prazeiroso para ambas as partes. Cada um sabe exatamente aquilo que o outro gosta e a simultaneidade do prazer é mais fácil de ser atingida.

Com um conjunto de Jazz acontece algo semelhante. Por mais que sejam feitos ensaios, a primeira apresentação ao vivo, é tensa, nervosa. Existe uma preocupação de tempos e ritmos, de empatia com o público. Todos conhecem a música, o arranjo foi bem ensaiado, o tempo do improviso que cada um vai fazer é para ser como foi combinado, mas é estréia. E aí, tudo muda.

Eu tenho o prazer de escutar o Jazz 6 desde sua nervosa estréia numa longínqua terça-feira no Café Concerto Majestic. Ouvi-os tocar várias vezes, desde então. E ao longo deste tempo, sua relação com a música está se constituindo em um grande ato de amor. Existe uma entrega mútua, sorrisos cúmplices, uma enorme e notória satisfação de estarem juntos. A formação continua a mesma, o que é muito bom: Adão Pinheiro no piano, Lima na bateria, Jorge Gerhardt no baixo, Luís Fernando Veríssimo no sax-alto, Geraldo Schuller no sax-tenor e flauta e Luiz Fernando Rocha, Mr. Cool Man, no trumpete. No repertório, clássicos do Jazz e da Bossa Nova, tocados com suavidade e competência.

Aonde escutá-los? Amanhã, dia 12 de abril, no mesmo Café Concerto Magestic onde estrearam, no 7º. andar da Casa de Cultura Mário Quintana, a partir das 21:30 h. Não esperem pirotecnias gestuais e improvisos sincopados e dissonantes. Estas são características do be-bop. Terão o prazer de escutar um som delicado que flui naturalmente, onde a emoção é transmitida pela continuidade e leveza do tom. Um som como se fosse uma doce carícia, feita por alguém que a gente conhece há muito tempo....

 
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